12.23.07
Madrugada de angústias
Madrugada, o sono fugiu-me dos olhos; ouço o tique-taque do relógio, que persiste em me lembrar das horas de angústias que vivo. Ouço o sibilo agudo do vento, que insiste em adentrar a janela, esvoaçando as cortinas.
Longe, ouço o latido de cães, a rua está deserta; dorme a cidade. Talvez, em algum lugar, alguém esteja acordado passando pelo mesmo drama que passo.
Há poucas horas a situação era oposta; no entanto, mais uma vez fui vencido pela desconfiança, interpretei mal seu gesto de amizade, brigamos…
Certo, é que sempre incorro nos mesmos erros, e isto me causa mais insegurança, mas lhe asseguro que tenho vontade de acertar, de rever meus conceitos, controlar meus impulsos destrutivos.
“Meu Deus, fui um tolo, em não perceber os erros que cometi, os desvarios dos meus ciúmes”. Poderia contar mais uma vez com o seu perdão? Necessito, e vou mudar, o seu amor representa muito para mim, ajude-me a vencer esta fase, a sepultar meus medos, ignorar os fantasmas dos relacionamentos do passado.
Nada há de abalar nossa feliz convivência, pois há em mim disposição para o diálogo, deixar-me ser ouvido por você. Amanhecendo o dia, a primeira coisa que farei, será procurá-la, nas mãos rosas, muitas rosas, e no coração, a esperança de que vença o nosso amor.
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
07.31.07
Porta do passado
A porta semi-aberta
Esperando a sua entrada
Desde sua partida
Nada mais fiz, senão esperá-la
Não sei se é sonho ou ilusão
Mas fato é que a espero
Que resisto, persisto, insisto
Em crer que irá voltar
Fantasio este momento
Preparo-me para o encontro
Na cama lençóis ligeiramente dobrados
Um cheiro de fragrâncias no ar
Um CD pronto para tocar
Um som para ser emitido
Uma palavra para ser jurada
Ilusões, mente fantasiada
O tempo parou
Apenas o tic-tac do relógio
Alterna-se com o som da minha respiração
O vento balança a porta
Que se entreabre mais e mais
Revelando minha angústia
Meus olhos inquietos a observam
Desolados, frios e indiferentes
Só a saudade não é indiferente
Esta é intensa, crescente
Feito fogo que consome impiedosamente
Num impulso, levanto-me
Ligo a televisão, em intenso volume
O som adentra o quarto
Exorcizando o fantasma do amor
Distraio-me, saio da minha letargia
Percebo que passadas são as horas
Um novo dia então nascera
Fecho a porta do passado
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
Paixão furiosa
Olhos lindos por que tanta furia?
Rasgando a roupa, acabando com tudo
Assim estremeço com sua injúria
Corro, escapulo, até o fim do mundo
Sufoco no peito doloroso gemido
Das dores atrozes que na alma sofri
Do engano, desengano outrora vivido
Hoje sou triste, nunca mais sorri
Morro, eu sei que é de paixão
Nas angústias diárias, da desilusão
Sei que meu coração ressente
Da punhalada no peito, ferida recente
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
Amnésia do amor
Vou tentando esquecer que você existe
Que a tristeza já não persiste
Esqueço dos tormentos
Quando vivo os piores momentos
Esqueço que fui maltratado
Esquecido, jogado de lado
Não lembro do dia que passou
Esqueço de quem não me amou
Esqueço tentando esquecer
Lembrando que tenho que viver
Por isso você é passado
Amei e não fui amado
As lembranças da minha memória
Dos dias outrora vívidos
Todos foram esquecidos
São páginas viradas da história
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved



