06.30.08
Deus, torna-me um menino
Quando eu era menino
Pensava como um menino
Agia semelhante a um menino
Minhas palavras eram de menino
Logo que cheguei à idade adulta
Tive de deixar as coisas de menino
Rever os meus conceitos
Estabelecer prioridades
Quando eu era menino
Tinha a sensibilidade no peito
A inocência presente na alma
O sorriso estampado no rosto
Hoje, já adulto
Tenho muitas preocupações
Muitas dívidas para pagar
Ninguém para meu acalento
Quando eu era menino
Cantava contente e feliz
Não via maldade nas pessoas
Meu sono era suave
Adulto, passo as noites acordado
Temo a violência do ser humano
Sou um perfeito egoísta
Faço tudo por interesses
Quantas saudades do tempo de menino!
Eu era feliz, mas desconhecia
O valor da pureza e inocência
Minhas maldades eram nulas
Hei, Deus, quero ser menino novamente!
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
06.19.08
Despedida de um cativo
Terminei agora a leitura da carta que me enviou. Confesso-me surpreendido e atônito com sua decisão. Certo é que, nos últimos meses havia percebido o seu distanciamento. Nossos encontros já não aconteciam com a mesma freqüência de antes; por um tempo aceitei os seus argumentos, de que eram os estudos que não permitiam tempo livre para nosso amor. Depois, sucessivas justificativas faziam-me desacreditar de suas razões.
Sua carta foi o golpe de um ato de maldade, que matou os meus sonhos de um relacionamento duradouro e feliz. E eu, que acreditava nas suas juras de amor, agora me sinto desnorteado, sem horizontes, sem estradas que me levem a algum lugar.
Estou perdido nas estrelas da ilusão; diante de mim a encruzilhada da tristeza me atiça a percorrê-la, embora de longe a rua da morte, em painéis luminosos, me indique que deva seguir para lá. Em um canto da mesa há mil pedacinhos de sua insensibilidade, fragmentos de minhas esperanças, pedaços das minhas desilusões.
Não apresentou motivos da nossa separação, também não os pedirei. Se um dia amei perdidamente, outra vez o amor há de se instalar no meu peito.
Ah, quero lembrar que há uma estrada por onde iniciarei uma nova jornada, a do recomeço. Então, não tardarei mais minha decisão, vou agora mesmo em busca de outro amor; afinal, a vida segue e tenho que viver. Adeus…
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved