12.23.07
Madrugada de angústias
Madrugada, o sono fugiu-me dos olhos; ouço o tique-taque do relógio, que persiste em me lembrar das horas de angústias que vivo. Ouço o sibilo agudo do vento, que insiste em adentrar a janela, esvoaçando as cortinas.
Longe, ouço o latido de cães, a rua está deserta; dorme a cidade. Talvez, em algum lugar, alguém esteja acordado passando pelo mesmo drama que passo.
Há poucas horas a situação era oposta; no entanto, mais uma vez fui vencido pela desconfiança, interpretei mal seu gesto de amizade, brigamos…
Certo, é que sempre incorro nos mesmos erros, e isto me causa mais insegurança, mas lhe asseguro que tenho vontade de acertar, de rever meus conceitos, controlar meus impulsos destrutivos.
“Meu Deus, fui um tolo, em não perceber os erros que cometi, os desvarios dos meus ciúmes”. Poderia contar mais uma vez com o seu perdão? Necessito, e vou mudar, o seu amor representa muito para mim, ajude-me a vencer esta fase, a sepultar meus medos, ignorar os fantasmas dos relacionamentos do passado.
Nada há de abalar nossa feliz convivência, pois há em mim disposição para o diálogo, deixar-me ser ouvido por você. Amanhecendo o dia, a primeira coisa que farei, será procurá-la, nas mãos rosas, muitas rosas, e no coração, a esperança de que vença o nosso amor.
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
12.09.07
Estação dos amantes
Que chegue a primavera, estação dos amantes, que cessem as tempestades e cantem os passarinhos em uma sinfonia, para alegrar suas manhãs; que se abram as flores para dar-lhes as boas-vindas, que os amantes se entreguem em doces contemplações da vida.
Que os passarinhos, em suaves circunvoluções, desenhem no céu as mais lindas coreografias, que apenas eles sabem fazer; que na manhã, com o desabrochar das flores ao receber os raios do sol, meu pensamento se abra para receber as doces lembranças do seu rosto, que tanto me fascina, iluminando-o com o esplendor de mil sóis.
Que chegue o inverno, e nele me encontre em seus braços aquecendo-me, sentindo no rosto aconchegado ao seu, sua respiração a enrubescer-me a face; nas noites frias, que sejamos aquecidos mutuamente.
É tempo de ficarmos em casa, assistirmos a filmes, rirmos muito dos fatos que tornaremos engraçados, através da alegria que nos contagia.
Que chegue o outono, um tempo para avaliarmos nosso relacionamento, de nos entregarmos sem reservas, sem preconceitos. É o tempo das descobertas, das horas de passeio nos parques da cidade, de ida a shows e eventos culturais.
Que chegue o verão, aquela ilha deserta nos espera, onde a natureza nos brindará com seus encantos, parabenizando-nos por nosso amor. Nos libertaremos do calor em águas cristalinas, passearemos em praias desertas, deitando-nos na areia, esperando que o sol nos bronzeie.
Minha mão, que tantas vezes percorreu seu corpo, desta vez, deslizará suavemente por suas costas, para espalhar o bronzeador; suas coxas roliças nada mais são do que a próxima etapa de minhas mãos carinhosas a friccioná-las delicadamente.
E depois de muitas estações, a vida nos brindará com muitos filhos e netos, em festas e reuniões familiares, onde somos o exemplo de amor perfeito.
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
12.02.07
Despedida de um cativo
Fui prisioneiro. Estava prisioneiro em seus braços, sendo cuidado com extremo interesse, todas as suas atenções eram para mim.
Você se deliciava com as doces canções que diariamente entoava, em seguidos trinados ou silvos agudos; você parava tudo o que fazia e embevecida com minhas melodias, relembrava o seu passado, do qual nunca me falou, mas que, imaginava ser de tristeza, a julgar pelas lágrimas que furtivamente brotavam dos seus meigos olhos.
Você se sensibilizava com as canções provocadas por minhas saudades, saudades dos tempos que voava em campos abertos, quando em multidão fazíamos tremenda algazarra, Outras ocasiões, invadíamos o milharal que principiava a apresentar os primeiros frutos.
Fui sua companhia durante anos seguidos, e confesso nada me faltou, nunca desejei algo que pudesse satisfazer minha natureza, exceto a minha liberdade. Durante o tempo que passamos juntos, ouvi das pessoas próximas a você questionamentos sobre a minha liberdade; a todos era apresentado o argumento, que eu não saberia enfrentar o mundo lá fora, escapar dos perigos que espreitavam em cada esquina, à espera da próxima vítima.
Mas, afirmo-lhe que vim da natureza, sou dela, não para viver cativo. Desculpe, se a faço chorar com minha ausência. Procure compreender que busco o que você também busca: a liberdade. Não se trata de ingratidão, agradeço todo o carinho e amor durante estes anos, mas precisava sentir novamente o vento a refrescar-me o rosto, pousar na mais alta árvore, reunir-me com meus irmãos na alvorada e no crepúsculo, para levarmos ao Criador nossos agradecimentos diários pela vida.
Acaso sinta saudades de mim, vá ao parque mais próximo onde ouvirá novamente as belas canções que me deu o Criador.
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved


