11.25.07
Ciumento apaixonado

Meus pensamentos se perdem na imensidão da minha saudade, que me tortura com os nossos melhores momentos vividos. Penso o quanto fomos felizes, o tanto que nos ajustávamos. Com um olhar entendíamos os pensamentos e vontades, que eram manifestados em doces explosões de amor.
Nossa união foi prejudicada com a chegada de um elemento um tanto quanto nocivo, o ciúme; antes tivesse confiado inteiramente em você, em sua fidelidade de amor único e desinteressado.
Muitas vezes você me confortou ao dirigir-me palavras de incentivo, ouvindo-me com extrema paciência, apontando-me saídas para os meus problemas. Seque de meus olhos toda a lágrima, perdoando-me.
Choro. Choro a perda e afastamento que me devora, que tanto me angustia. Faça-me sorrir novamente, perdoe-me a desconfiança.
Sei que sofre tanto quanto eu, então por que resiste? Hei! Por que prolongar mais ainda nossa separação? Venha! Estou esperando seu perdão, que será selado com um beijo apaixonado.
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
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11.17.07
Amanhã
Amanhã acordarei ao romper da aurora e o meu primeiro pensamento será ver o nascer do sol. Quero presenciar o despertar da vida em uma sintonia de sons e cores, entregarei minha alma em meditação no suave transcorrer das horas.
Admirarei borboletas e besouros pousando nas flores do meu jardim, pássaros voando de uma a outra árvore. Brincarei com o meu cachorro levando-o para passear, não me esquecendo do ronronar do meu gato reclamando atenção.
Farei planos de logo mais telefonar para os amigos cumprimentando-os pelo belo dia que vive. Quanto aos meus filhos brincaremos juntos, rolando na grama, roubando guloseimas na geladeira; afinal temos que aproveitar estes momentos tão felizes.
Ao sentir o cheirinho gostoso de comida vindo da cozinha, eu e as crianças sorrateiramente procuraremos nos apossar dos petiscos que estarão sendo preparados para o almoço. Após o almoço, tudo o que quero é uma rede preguiçosa para deitar. Sem preocupar-me com dívidas ou problemas cotidianos.
A brisa suave beijará meu corpo adormecido, compartilhando meus sonhos, e num murmúrio inaudível contará meus segredos. Ao despertar assistirei aquele filme que há muito tempo pretendia assistir. Após o filme pegarei meu violão e entoarei uma canção saudando a noite que se aproxima.
Antes de me deitar sairei para o quintal, olharei para o céu estrelado e a cada estrela contada será um dia de felicidade. E no derradeiro instante do hoje, esperarei pacientemente pelo amanhã. Por que hoje? Bem, hoje eu só quero pensar em você, viver você…
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11.14.07
Adeus! Parti pra outra…
Terminei agora a leitura da carta que me enviou. Confesso-me surpreendido e atônito com sua decisão. Certo é que, nos últimos meses havia percebido o seu distanciamento. Nossos encontros já não aconteciam com a mesma freqüência de antes; por um tempo aceitei os seus argumentos, de que eram os estudos que não permitiam tempo livre para nosso amor. Depois, sucessivas justificativas faziam-me desacreditar de suas razões.
Sua carta foi o golpe de um ato de maldade, que matou os meus sonhos de um relacionamento duradouro e feliz. E eu, que acreditava nas suas juras de amor, agora me sinto desnorteado, sem horizontes, sem estradas que me levem a algum lugar.
Estou perdido nas estrelas da ilusão; diante de mim a encruzilhada da tristeza me atiça a percorrê-la, embora de longe a rua da morte, em painéis luminosos, me indique que deva seguir para lá. Em um canto da mesa há mil pedacinhos de sua insensibilidade, fragmentos de minhas esperanças, pedaços das minhas desilusões.
Não apresentou motivos da nossa separação, também não os pedirei. Se um dia amei perdidamente, outra vez o amor há de se instalar no meu peito.
Ah, quero lembrar que há uma estrada por onde iniciarei uma nova jornada, a do recomeço. Então, não tardarei mais minha decisão, vou agora mesmo em busca de outro amor; afinal, a vida segue e tenho que viver. Adeus…
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
11.11.07
Cemetary of ships
No cemitério da ilusão
Colho as flores murchas
Depositadas por tua indiferença
Nos olhos carrego as névoas
Da última anulação
Dos seus flagrantes despropósitos
Manifesto dores cruciais
Dos espinhos dos teus venenos
Inoculados no meu ser
Sangro por entre as pedras lançadas
Bebo o veneno destilado
Em generosos goles
Minha carne viva lateja
Sofrendo as chicotadas
Da sua falta de caráter
Juraci Rocha da Silva – Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
11.03.07
Meu harém
Quisera ter mil mulheres
Para ter mil encantos diferentes
Revelando-me suas sutilezas
Descobrindo-me seus íntimos segredos
Quisera ter centenas de mulheres
Para realizar as mais loucas fantasias
Adormecido em sonhos infinitos
Despertado por desejos reais
Quisera ter dezenas de mulheres
Para amá-las. Venerá-las
Num arroubo de felicidade
Dividir meu ser em partes iguais
Tenho só a você
A quem invoco em meus sonhos
Que povoa minha alma de poeta
Em uma incessante explosão de amor
E isto me completa
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